domingo, 5 de fevereiro de 2012

Vens-te do ar

"Pelo caminho da repugnância geral e a generalização da repugnância total.
Passear pelos olhos da infância e recordar o sabor da simplicidade inerente áquelas casas adquiriu em mim a importância vital do ar. Do ar que é simples, do ar que é complexo, do ar que é inextinguivel, incompreensivel. Com capacidades de DoAr o extinto porque Do Ar te vens, te vens doar como incorporal."

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O (Maravilhoso) Guia do Nonsense


Para quem sempre se questionou "Porque é que um corvo se parece com uma secretária?" ou simplesmente se interessa pelo nonsense escrito, fica aqui um tratado da minha autoria sobre o assunto:

O nonsense é, por si só difícil de explicar e defenir, dada a sua própria natureza, mas para o que nos interessa, o nonsense literário pode (na minha opinião) ser caraterizado por simultaneamente seguir todas as regras da construção frásica, concordâncias, etc e ter um significado (ou não) absurdo ou insólito.
Excluem-se assim palavras e letras ao acaso, e aproximamo-nos do absurdo e imaginação de textos como os de grandes referências do género (se é que isso se lhe pode chamar), como Lewis Carrol e Dr. Seuss.
No entanto, descrever ideias excêntricas e mirabolantes é tão ou mais difícil que uma qualquer outra descrição rica daquilo que normalmente se sente ou observa, por isso e após  ter sido questionado diversas vezes sobre o assunto decidi escrever o meu guia para o Nonsense, um método para o caos: assim seguindo três passos chega-se a um resultado no mínimo surpreendente (para não dizer louco)
1- Começa-se por enumerar uma lista de objectos/ locais/ conceitos e adjectivos que os caracterizem, exemplificando:
A- A mesa geométrica
B- O mar azul
C- O mel doce
D-  A chávena quebradiça

2- A cada um destes objectos associa-se agora uma acção que lhes seja lógica, podendo também acrescentar-se um interveniente, nesse caso pode-se já inserir um elemento estranho ao contexto da frase. Passo a exemplificar:
A - A sereia escrevia sobre a mesa geométrica
B- Os ventos sopravam sobre o mar azul
C- O raio de luz brilhava dentro do mel doce
D- Alguém bebia pela chávena quebradiça

3- Agora é que a magia acontece: Começa-se por dividir as frases nos seus elementos constituintes, e em seguida trocam-se os de umas com os seus semelhantes das outras, mantendo o objecto que se escolheu inicialmente, e fazendo as modificações necessárias para que a frase esteja bem construída. Ilustrando o processo:

A - A sereia escrevia sobre a mesa geométrica
B- Os ventos sopravam sobre o mar azul
C- O raio de luz brilhava dentro do mel doce
D- Alguém bebia pela chávena quebradiça

A -  Alguém bebia a mesa azul
B- O raio de luz brilhava dentro do mar geométrico
C - A sereia  escrevia sobre uma chávena doce
D - Os ventos sopravam sobre o mel quebradiço


O resultado é confuso - se bem que não se escreveu nada de errado, nada parece, pelo menos de imediato, fazer sentido. Eis um bom ponto de partida para uma narrativa, um poema, um diálogo ou até uma adivinha sem resposta.

Claro que não se pode reduzir o nonsense a um método destes: para já a sua própria natureza vai contra métodos e convenções, e depois, cada um tem a sua imaginação e criatividade, e assim criará ideias completamente diferentes de outro que siga o mesmo método. Porém, é uma boa fundação sobre a qual se pode então erguer um castelo periclitante do inesperado!

Outras técnicas eficazes são:


Inventar novas palavras, ao acaso (fafarisco) ou recorrendo á formação de palavras (brilho + luminoso = brilhuminoso)


Subverter/ alterar provérbios, expressões populares ou textos conhecidos (Exemplo: Dragão a dragão enche a nuvem o saco)


Criar diálogos sem sentido, com perguntas e respostas por vezes sem ligação e mudanças súbitas de tema de conversa.


Em grupo, cada pessoa escreve um parágrafo, tapa o texto menos a última frase e passa a folha ao seguinte, que deve dar-lhe continuação sem ver o que está para trás, e assim sucessivamente até todos terem escrito pelo menos uma vez.


Seja como for, o resultado será o reflexo do artista, infinitamente original e dotado de uma sensibilidade que se apresenta para além da compreensão dos leitores!


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

VISITA DE ESTUDO AO MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS E PADRÃO DOS DESCOBRIMENTOS


No dia 23 de novembro, alguns alunos da turma H, do 12º ano, acompanhados pela professora de português, foram conhecer os túmulos de Luís de Camões e de Vasco da Gama localizados no Mosteiro dos Jerónimos. De seguida, fomos descobrir um pouco mais da história dos nossos antepassados no Padrão dos Descobrimentos.  O pastel de Belém acompanhou-nos, também, num fim de tarde ainda de sol.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Excerto Memorial do Convento

Olá! Comecei hoje a ler o Memorial do Convento e por isso vou escrever aqui o penúltimo parágrafo que li e que por acaso tem muito que se lhe diga. "Vimos como em instância final saiu absolvido o estudante da suspeita do roubo das lâmpadas. Agora não se vá dizer que, por segredos de confissão divulgados, souberam os arrábidos que a rainha estava grávida antes mesmo que ela o participasse ao rei. Agora não se vá dizer que D. Maria Ana, por ser tão piedosa senhora, concordou calar-se o tempo bastante para aparecer com o chamariz da promessa o escolhido e virtuoso frei António. Agora não se vá dizer que el-rei contará as luas que decorrerem desde a noite do voto ao dia em que nascer o infante, e as achará completas. Não se diga mais do que ficou dito." (p.33)
E quem é que acham que está a escrever esta mensagem para o blogue? Uma pista, o nome está no excerto!

sábado, 1 de outubro de 2011

Dom Fuas Roupinho

A propósito da estância 12 da Dedicatória

''Por estes vos darei um Nuno fero,
Que fez ao Rei e ao Reino tal serviço,
Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero
A cítara para eles só cobiço;
(...)"



Acerca de Dom Fuas Roupinho:

Lenda da Senhora da Nazaré

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bathory

Aqui vai a primeira contribuição, o poema "Bathory", que escrevi durante as férias; narra a história da lendária ( e temida) Elizabeth Bathory, Condessa de Ecssex:


Bathory 

Por entre as névoas ergue-se o castelo
Antiga e nobre casa de Bathory
Poderá haver algo tão maligno mas tão belo
Elizabeth penteia o cabelo
Nunca o seu rosto verei o vi
Mas a sua tragédia ecoa como se lá vivi

Nobre condessa, de esmerada educação
Poderias algum dia suspeitar ou saber
Que por trás dessa bela tradição
Algo de sinistro se esconderia por trás da canção
O tempo tornou-se obsessão, sempre a correr
E haveria maneira de nunca envelhecer?

Poderia ser esta cara de porcelana pura
Que mais de seiscentos botões de rosa cortou
Seria como dizem, uma mulher dura
Ou talvez o abandono tenha sido tortura
Regeneraria no escarlate que derramou?
Ou quando a sombra ao fundo gritou:

- Porquê, tens tudo, e tudo a perder!
O que fizeste, eles vão descobrir!
- Porque desde que me dê prazer,
E ainda possa o tempo desaparecer,
Vale a pena arriscar e iludir
E  a mim nada nem ninguém pode diminuir!

Mas ao longo dos anos tornou-se descuidada
E, sabendo o que procurar
A prova foi finalmente encontrada
E sobre oitenta fantasmas a acusação lançada
Demasiado orgulhosa para escapar
E à poderosa condessa ninguém podia tocar

Enquanto três estacas ardiam
Elizabeth ergue-se no centro da tempestade
Quantos anos de drama passariam?
Derrotada, esquecida, mas ainda a temiam!
Com o tempo vencido e satisfeita a vaidade
O seu nome e a sua lenda ficariam para a eternidade!

 

Introdução

Bem vindos ao Ser Português.


Este blogue destina-se aos alunos da António Arroio, criando um espaço virtual no qual possam consultar e publicar recursos quanto à matéria de Português, mas também com espaço para a criatividade e a produção escrita, procurando desta forma promover o interesse pela disciplina.


É um espaço de todos nós e de cada um, por isso contamos com a tua colaboração para o manter ativo, útil e interessante.